A Irlanda mais que dobrou o número de permissões de trabalho emitidas ou renovadas para profissionais de fora do Espaço Econômico Europeu desde 2021. Brasileiros responderam por 11% das concessões em 2025, segundo um novo estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Social da Irlanda, o ESRI.
O levantamento mostra que a contratação internacional deixou de ficar concentrada apenas em profissões altamente qualificadas. Empresas irlandesas procuram cada vez mais trabalhadores estrangeiros para áreas como saúde, assistência social, construção, tecnologia, alimentação, transporte e agronegócio.
Entre 30 mil e 40 mil permissões por ano
Entre 30 mil e 40 mil permissões foram emitidas ou renovadas anualmente em cada um dos últimos quatro anos. Ao todo, cerca de 160 mil concessões ou renovações foram registradas no período analisado.
Em 2025, cidadãos indianos concentraram a maior parcela, com 32% das permissões. Brasileiros e filipinos apareceram em seguida, cada grupo com 11% do total.
O Espaço Econômico Europeu, frequentemente chamado pela sigla EEE, reúne os países da União Europeia, além de Noruega, Islândia e Liechtenstein. O sistema de employment permits é usado quando empregadores não conseguem encontrar trabalhadores adequados na Irlanda ou nos demais países desse bloco.


Saúde lidera a contratação internacional
Saúde e assistência social responderam por 26% das permissões em 2025. O setor de informação e comunicação, que inclui muitas funções de tecnologia, ficou com 12%, enquanto hospedagem e alimentação representaram 11%.
A construção também passou a recorrer mais à mão de obra internacional. A participação do setor quase dobrou em comparação com 2021 e chegou a 6% das permissões, em um momento no qual a Irlanda tenta ampliar a construção de moradias e projetos de infraestrutura.
O estudo identificou ainda uma mudança no perfil das contratações. Em 2024, as General Employment Permits superaram ligeiramente as Critical Skills Employment Permits pela primeira vez desde 2016.
As Critical Skills são destinadas a profissionais altamente qualificados ou de áreas com escassez reconhecida. Já as General Employment Permits podem ser concedidas para uma variedade maior de funções, normalmente depois que a empresa demonstra que não encontrou candidatos adequados na Irlanda ou no EEE.
Exploração e dificuldade para reter profissionais
Apesar da crescente dependência de trabalhadores estrangeiros, o ESRI aponta problemas no sistema. Profissionais de funções com remuneração mais baixa relataram situações como excesso de horas de trabalho, pagamento inferior ao combinado e outras formas de exploração.
A Irlanda também enfrenta dificuldade para manter parte dos trabalhadores de Critical Skills no país. Muitos deixam o Estado depois de alguns anos, enquanto outros encontram obstáculos para que diplomas obtidos fora da União Europeia sejam reconhecidos em profissões regulamentadas, como medicina, enfermagem, ensino e engenharia.
Desde mudanças introduzidas em 2024, determinados trabalhadores podem mudar de empregador depois de nove meses na primeira permissão. Existe também uma autorização de reativação destinada a pessoas que perderam o emprego por exploração ou demissão.
Para o ESRI, garantir um sistema justo e eficiente é importante não apenas para os trabalhadores e empregadores, mas também para a continuidade de serviços públicos e para setores essenciais da economia irlandesa.
