Nego Vai Longe: o projeto de Robson Jesus para visitar 196 países

Visitar todos os países do mundo é o projeto que levou Robson Jesus a transformar viagens em pesquisa, planejamento e produção de conteúdo. Quando conversou com Bolder, ele havia chegado à Irlanda como o país número 81 em apenas 12 meses e ainda estava na metade do caminho rumo aos 196 destinos da lista.

Conhecido como Nego Vai Longe, Robson fala sobre a origem do projeto, o objetivo de ampliar a representação de viajantes negros e os cuidados necessários em países onde o turismo independente exige muito mais preparação.

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Da radiologia ao projeto Nego Vai Longe

Antes de viajar em tempo integral, Robson construiu carreira na saúde. Ele é formado em Radiologia, Administração Hospitalar e Gerenciamento de Projetos. Conta que as graduações vieram por bolsas ou programas sociais, porque sua família não podia pagar universidade.

A primeira viagem internacional nasceu justamente da falta de dinheiro para a festa de formatura. Com dois amigos, parcelou uma passagem para a Argentina e ficou em um quarto coletivo. Sem orçamento para transporte, caminhava 25 ou 30 quilômetros em alguns dias. A experiência abriu a curiosidade por outras culturas.

Depois vieram Chile, Bahamas, Estados Unidos, México e Colômbia. Antes de iniciar o desafio mundial, ele já havia conhecido 11 países, mas precisou revisitar quase todos para atender aos critérios de comprovação adotados no projeto.

Por que tentar conhecer 196 países?

A ideia ganhou forma depois de uma conversa com seu amigo Ricardo, também especialista em projetos. Os dois passaram cerca de oito meses pesquisando rotas, custos e pessoas que já haviam completado a volta ao mundo.

Robson conta que encontrou poucos registros e percebeu a ausência de homens negros entre as referências que analisou. Essa constatação mudou o propósito: não seria apenas uma coleção de carimbos, mas uma forma de mostrar que pessoas negras também podem ocupar o espaço das grandes viagens.

O Guinness aparece no episódio como referência e como fonte de exigências documentais. Robson fala sobre guardar provas de entrada e saída e sobre a necessidade de refazer alguns destinos. Na época da entrevista, ele ainda estava em andamento; portanto, o episódio acompanha a construção do recorde, não sua conclusão.

Como é possível viajar tão rápido?

O ritmo era intenso: 81 países em um ano. Isso exigia montar blocos regionais, acompanhar fronteiras, vistos e conexões e reduzir o tempo de permanência. A viagem, portanto, não seguia o modelo de férias longas em cada destino.

Robson também estudava geopolítica diariamente. Para ele, conhecer a situação política e de segurança não era curiosidade acadêmica, mas uma ferramenta de decisão. O aprendizado de idiomas entrou no planejamento: russo para uma parte da rota e francês antes de retornar à África.

Os perrengues mudam a forma de enxergar o mundo

A conversa deixa claro que planejamento não elimina imprevistos. Robson relata dificuldades de deslocamento, fronteiras, comunicação e segurança. Em lugares com instabilidade ou corrupção, ele aprendeu a carregar documentação, pesquisar regras e ajustar a postura ao contexto local.

O ponto não é tratar países inteiros como perigosos. Robson diferencia a experiência com a população local das situações provocadas por autoridades, conflitos ou redes de transporte frágeis. Esse cuidado impede que um problema específico vire uma generalização sobre toda a cultura.

Representatividade no turismo internacional

O nome Nego Vai Longe resume a mensagem do projeto. Robson saiu de uma família que não podia financiar universidade, trabalhou desde cedo — inclusive entregando pizza e em fábrica — e comprou seu primeiro apartamento aos 18 anos depois de economizar por dois anos.

Essa trajetória explica por que ele insiste que viagem não começa no aeroporto. Começa no planejamento, na educação e na capacidade de transformar um objetivo enorme em etapas menores.

Vale a pena tentar conhecer todos os países?

Para a maioria das pessoas, a resposta não será seguir o mesmo ritmo de Robson. O valor do episódio está em mostrar o trabalho invisível por trás do objetivo: meses de pesquisa, controle de provas, estudo de geopolítica e disposição para recomeçar rotas.

Assista à conversa completa para acompanhar os bastidores dos primeiros 81 países e entender por que, para Robson, chegar longe também significa abrir caminho para quem nunca se viu representado nesse tipo de aventura.