Trocar o Canadá pela Irlanda significou recomeçar pela segunda vez para Aline, Daniel, o filho Miguel e o cachorro Steven. A família havia construído uma rotina em Vancouver e tinha um plano migratório de cinco anos, mas mudanças nas regras, a cidadania italiana de Daniel e a experiência escolar de Miguel fizeram o casal rever a rota.
No vídeo, Bolder acompanha a família em Cherrywood e pergunta o que realmente pesou na decisão: trabalho, moradia, escola, idioma, pertencimento e estabilidade legal.
Por que a família saiu do Brasil?
A ideia de morar fora surgiu quando uma amiga conseguiu cidadania italiana e se mudou para Londres. Daniel percebeu que também tinha ascendência italiana e começou o processo. Enquanto aguardavam a documentação, Aline ganhou uma experiência de inglês no Canadá pela empresa e passou um mês no país em 2022.
Aline é psicóloga e trabalhava há mais de 15 anos em Recursos Humanos. Daniel tinha trajetória semelhante em compras no setor automotivo. A vida em São Paulo, marcada por jornadas longas e trânsito, também entrou na decisão. Depois da morte do pai de Aline, a família buscava um período diferente e mais próximo.
O plano inicial no Canadá
Aline entrou em um college para cursar uma pós-graduação de dois anos, com Business no primeiro ano e RH no segundo. Pelas regras existentes quando aplicaram, Daniel podia trabalhar em tempo integral como cônjuge.
Ele começou entregando currículos e conseguiu trabalho em um restaurante italiano. A mudança foi forte para alguém com 15 anos de experiência corporativa: lavava pratos, retirava lixo e entrava no freezer durante o turno. Três meses depois, conseguiu voltar à área de compras.
A experiência também mostrou a diferença entre estudar inglês e usá-lo em uma cozinha com colegas de várias nacionalidades. Daniel diz que chegou com a sensação de nível avançado e percebeu que ainda precisava aprender a comunicação cotidiana.
Por que trocaram o Canadá pela Irlanda?
O plano era ficar cinco anos, mas três fatores mudaram a direção:
- as regras canadenses para estudantes e cônjuges começaram a mudar;
- Daniel e Miguel receberam o passaporte italiano, trazendo maior estabilidade dentro da União Europeia;
- Miguel não estava feliz na escola no Canadá.
Aline adaptou a pós-graduação para concluí-la em um ano, e a família encerrou o ciclo canadense depois de aproximadamente dois anos.
A Irlanda foi escolhida porque mantinha a imersão em inglês, tinha mercado de trabalho percebido como forte e facilitava o acesso a outros países europeus. O passaporte europeu de Daniel retirava parte da ansiedade de depender de uma empresa para permanecer.
Como Miguel viveu a segunda mudança
Miguel tinha 12 anos quando a família saiu do Brasil. Na Irlanda, encontrou uma rotina escolar mais favorável, entrou em clubes organizados pelos professores — entre eles o de xadrez — e formou amizades com alunos interessados nas mesmas atividades.
Para os pais, a adaptação dele era o maior risco da segunda mudança. A decisão foi conversada em família, e a experiência positiva na nova escola ajudou a confirmar a escolha.
Moradia em Cherrywood e custo de vida
Na data da gravação, a família pagava €2.775 de aluguel. O valor incluía taxa do cachorro, vaga de garagem, internet e coleta de lixo. O prédio oferecia academia e área comum, e a vaga tinha carregamento gratuito para o carro elétrico.
O aluguel era a maior despesa do orçamento. Mesmo assim, Aline e Daniel consideravam que uma casa mais barata poderia aumentar outros custos ou reduzir a qualidade de vida. Eles estavam próximos da escola de Miguel, do Luas, da M50 e de serviços usados diariamente.
Esse valor é um retrato da família no momento do vídeo, não uma média atual de Dublin.
Emprego: aplicar de fora ou depois de chegar?
Daniel tentou vagas irlandesas ainda no Canadá e chegou a receber contatos durante a madrugada por causa do fuso. Os processos, porém, perdiam força quando as empresas percebiam que a mudança levaria meses.
A orientação prática que receberam foi esperar até estar na Irlanda. Para moradia, o cuidado era outro: evitar pagamentos precipitados e golpes sem conseguir visitar o imóvel ou fornecer a documentação local.
Valeu a pena trocar o Canadá pela Irlanda?
Para essa família, sim — principalmente pela escola de Miguel, pela estabilidade trazida pela cidadania europeia e por uma sensação de proximidade cultural. Eles descrevem Vancouver como mais distante do jeito brasileiro de socializar, enquanto alguns ambientes irlandeses lembravam a convivência que tinham em Mogi das Cruzes.
Isso não transforma a Irlanda em escolha universal. O episódio mostra que o melhor país depende do momento da família, do tipo de permissão, da escola, do trabalho e da rede de apoio. O que funcionou foi revisar o plano quando os fatos mudaram, em vez de continuar no Canadá apenas porque aquele era o roteiro original.
💥 Recursos para você
Serviços, cursos e ferramentas recomendados pelo Bolder.
Alguns links são de parceiros e podem apoiar o Bolder sem custo adicional para você.
🤝 Patrocinadores
Conheça as empresas que apoiam o Bolder Podcast.
