Professora de inglês na Irlanda: a trajetória de Elen Fernandes

A trajetória da professora de inglês na Irlanda Elen Fernandes não começou com facilidade para idiomas. Ela saiu de Americana, no interior de São Paulo, aos 18 anos, chegou a Londres com inglês básico e precisou aprender enquanto procurava trabalho e tentava manter o intercâmbio. No Bolder Podcast, Elen explica como essa experiência virou um método de ensino e uma carreira com alunos em vários países.

Como Elen Fernandes começou a aprender inglês?

Na adolescência, Elen queria entender as músicas do Bon Jovi que ouvia com uma amiga. A curiosidade existia, mas a família não tinha condições de pagar um curso particular. Na escola pública, ela teve contato com o idioma, porém chegou à vida adulta sem conseguir manter uma conversa.

Publicidade

O plano inicial era ir para os Estados Unidos, onde vivia uma família próxima dos pais. A dificuldade para obter o visto fez Elen procurar outro caminho. Uma amiga que era professora de inglês sugeriu a Inglaterra, explicando que, naquele período, ela poderia estudar e trabalhar em Londres.

Elen desembarcou na capital britânica em 2001. Ela conta que nunca tinha ido sequer à cidade de São Paulo antes da viagem ao aeroporto. Sem internet, redes sociais ou a quantidade de informações disponíveis hoje, precisou descobrir quase tudo na prática.

Chegar ao exterior faz alguém aprender inglês automaticamente?

Uma das ideias que o episódio derruba é a de que morar fora produz fluência por si só. Elen frequentava a escola, mas não entendia as explicações dadas inteiramente em inglês. Fora da aula, a falta do idioma dificultava até tarefas simples e a procura por emprego.

Quando o dinheiro começou a acabar, ela pensou em voltar ao Brasil. Em uma conversa decisiva, uma professora disse que todos na sala enfrentavam dificuldades e que Elen precisaria escolher entre perseguir o objetivo ou permanecer paralisada pela própria frustração.

Depois disso, Elen foi de sala em sala procurando indicações de trabalho. Uma brasileira que estava voltando ao Brasil a apresentou para uma vaga de babá. A oportunidade ajudou a sustentar sua permanência e também aumentou o contato diário com o idioma.

O método que ajudou a formar frases

Na biblioteca, Elen encontrou um material que ensinava a organizar o pensamento e montar sentenças a partir de estruturas como “eu quero”, “eu vou” e “eu preciso”. Em vez de apenas acumular regras, começou a praticar frases que poderia usar de verdade.

Ela percebeu uma melhora mesmo sem aumentar o número de horas de estudo: o que havia mudado era a forma de estudar. Também decidiu parar de esperar pela pronúncia perfeita. Se faltasse uma palavra, usaria contexto, gestos e perguntas até conseguir se comunicar.

Essa experiência sustenta um dos principais argumentos de Elen: aprender inglês é um processo, e o erro faz parte dele. Quem espera estar pronto antes de falar perde justamente a prática necessária para avançar.

Quando Elen se tornou professora de inglês?

Elen viveu quase sete anos em Londres, divididos em duas etapas. Ao retornar pela segunda vez, já havia feito o First Certificate in English, de Cambridge. Antes disso, durante uma temporada no Brasil, também havia feito um curso para professores, iniciado a faculdade e começado a dar aulas particulares.

Ela preferia preparar o próprio material porque não via seus alunos evoluírem quando precisava seguir uma cartilha rígida. O objetivo era reproduzir o processo que havia funcionado para ela: compreender como a frase é construída, pensar com mais organização e usar o idioma em situações concretas.

Em Londres, uma amiga pediu ajuda para aprender. A resposta dela às aulas fez Elen perceber que ensinar lhe dava um sentido que não encontrava em outros trabalhos. Embora pessoas próximas alertassem que a profissão poderia não render dinheiro, ela decidiu seguir a área.

Elen Fernandes fala sobre sua trajetória como professora de inglês na Irlanda
Elen Fernandes explica a Bolder por que prática e comunicação importam mais do que esperar pelo inglês perfeito.

Das escolas no Brasil ao ensino online na Irlanda

Depois da experiência em Londres, Elen voltou ao Brasil e abriu escolas de inglês em Americana e Piracicaba. A empresa cresceu, mas a rotina passou a ser dominada por administração, burocracia e gestão de equipe. Ela dava menos aulas — justamente a parte do trabalho de que mais gostava.

Nesse período, Elen também morou no Canadá, começou um canal no YouTube em 2014 e passou uma temporada estudando na Califórnia. A escola continuava no Brasil e a internet já permitia acompanhar parte do trabalho à distância.

A chegada à Irlanda deveria durar apenas uma semana ou dez dias, durante uma viagem profissional. Elen veio com uma mala pequena, estendeu a estadia e telefonou para a mãe dizendo que talvez ficasse três ou seis meses. No fim, tomou uma das decisões mais difíceis de sua trajetória: fechou as escolas físicas e permaneceu no país.

O ensino online permitiu que ela voltasse a se concentrar nas aulas. No episódio, Elen descreve turmas conectadas pelo Zoom com alunos no Brasil, Irlanda, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. Em vez de ficar limitada a uma sala com quatro ou cinco pessoas de uma única cidade, passou a ensinar falantes de português espalhados pelo mundo.

Como funciona a proposta de ensino de Elen Fernandes?

O modelo apresentado no podcast combina conteúdo organizado por nível com encontros ao vivo. Na época da gravação, Elen dizia ter mais de 300 aulas na plataforma e prática em grupo todos os dias. A parte gravada dá a base; os encontros servem para colocar o inglês em uso.

Ela compara a conversação a entrar em campo. Não basta estudar a teoria do jogo: é preciso tocar na bola, errar e continuar. Por isso, defende uma rotina possível de manter. Como exemplo, sugere encaixar 25 minutos de estudo por dia em vez de esperar aparecer um longo período livre.

Pronúncia, sotaque e medo de errar

Elen explica que o português e o inglês não usam exatamente os mesmos sons. Muitas dificuldades de pronúncia aparecem porque o aluno ainda não aprendeu a distinguir certos sons, como vogais curtas e longas. Treinar a escuta ajuda a reconhecer a diferença antes de reproduzi-la.

Melhorar a pronúncia é útil, mas o sotaque não deve impedir a comunicação. Elen observa que muitos brasileiros se cobram para falar sem marcas do idioma materno, enquanto pessoas de outras nacionalidades conversam mesmo preservando um sotaque forte.

Para ela, fluência não significa nunca cometer erros. Mesmo depois de obter uma certificação de Cambridge e conseguir acompanhar aulas em faculdade, continuava corrigindo uma preposição ou uma pronúncia no meio da conversa. O critério mais importante é conseguir compreender e ser compreendido.

Inglês para entrevistas de emprego na Irlanda

Na Irlanda, Elen também ajudou alunos a se preparar para entrevistas em inglês. Para conhecer o processo real, conta que se candidatou a vagas, atendeu ligações de recrutadores e chegou a participar de uma entrevista presencial.

A experiência reforçou a importância de saber contar a própria trajetória. Não basta decorar respostas isoladas: o candidato precisa explicar o que fez, quais problemas resolveu e por que aquela experiência é relevante para a vaga.

Publicidade

Vale a pena estudar inglês mesmo começando do zero?

A história de Elen responde a essa pergunta sem prometer atalhos. Ela começou sem curso particular, enfrentou meses de insegurança em Londres e só avançou quando transformou o estudo em prática frequente. Mais tarde, converteu o mesmo processo em profissão, criou escolas e passou a trabalhar de qualquer lugar.

No episódio completo, Elen e Bolder conversam sobre intercâmbio, carreira, estudo online, pronúncia, entrevistas de emprego e a diferença entre buscar perfeição e conseguir se comunicar. É um relato especialmente útil para quem mora fora, entende mais inglês do que consegue falar e ainda tem receio de entrar em uma conversa.