Desafios no início do intercâmbio na Irlanda: Levi Amarilo

Os desafios no início do intercâmbio na Irlanda podem aparecer mesmo para quem pesquisou muito antes de viajar. No Bolder Podcast 86, Levi Amarilo conta como deixou uma vida estável no Brasil, conseguiu dois empregos na primeira semana e, pouco depois, caiu em um golpe de acomodação que envolveu várias vítimas em Dublin.

Gravado em 2022, quando Levi tinha pouco mais de três meses de Irlanda, o episódio reúne experiências muito concretas sobre planejamento, trabalho, inglês, moradia e adaptação. Alguns procedimentos migratórios citados na conversa mudaram desde então, mas a história continua relevante para entender a pressão vivida por quem acaba de chegar ao país.

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Quem é Levi Amarilo?

Levi nasceu no Ceará, estudou Educação Física e construiu a carreira como professor de inglês. Ele começou a aprender o idioma aos 16 anos e passou aproximadamente 16 anos em sala de aula. Em seu último emprego no Brasil, também atuava como coordenador de uma escola de idiomas.

A carreira trouxe estabilidade e permitiu que ele comprasse um apartamento, mas a responsabilidade da coordenação passou a afetar sua saúde. No episódio, Levi relata um período de estresse intenso, inclusive com queda de cabelo, e a sensação de estar preso a uma rotina que já não combinava com seus planos.

Ele já havia feito um intercâmbio de cerca de 40 dias na Inglaterra com o irmão gêmeo, Luiz. A experiência ajudou a destravar o inglês e manteve vivo o desejo de morar fora por mais tempo.

Como Levi planejou o intercâmbio na Irlanda?

A decisão definitiva foi tomada em outubro. Levi chegou à Irlanda em 18 de janeiro, depois de cerca de quatro meses de preparação. Para viabilizar a mudança, fez cálculos, vendeu alguns bens, organizou o aluguel do apartamento e reuniu o valor necessário para escola, passagem e comprovação financeira.

Antes de embarcar, ele assistia a vídeos sobre custo de mercado, segurança, trabalho e documentação. Também saiu de alguns grupos nas redes sociais porque percebeu que relatos muito negativos estavam aumentando sua ansiedade em vez de ajudá-lo a planejar.

O objetivo não era romantizar a mudança. Levi sabia que deixaria casa própria, emprego e renda estável. Sua estratégia foi reunir o máximo de informação possível e aceitar que, apesar da preparação, parte do intercâmbio só poderia ser compreendida na prática.

O inglês facilitou a busca por emprego?

Levi chegou com inglês avançado e experiência como professor. Isso não eliminou as dificuldades, mas ampliou as vagas às quais conseguia se candidatar. Na primeira semana, encontrou dois trabalhos em áreas diferentes da carreira que exercia no Brasil.

Trabalho como night porter

O primeiro emprego foi como night porter em um hotel pequeno. A função envolvia recepção, segurança e uma parte de limpeza durante a madrugada. Ele encontrou a vaga no Facebook, passou por uma entrevista com um brasileiro e depois conversou com o proprietário irlandês.

Levi admite que, no primeiro dia, estranhou a mudança de status profissional: havia deixado um cargo de coordenação e agora limpava áreas do hotel. A percepção mudou quando comparou a nova rotina com a pressão que sentia no Brasil. No hotel, as tarefas eram mais delimitadas e ele não carregava os problemas do trabalho para casa.

O segundo emprego como minder

O segundo trabalho foi como minder, cuidando de três crianças. Embora nunca tivesse trabalhado formalmente como babá, Levi aproveitou a experiência de ensinar inglês para turmas infantis. A capacidade de conversar com a família e lidar com as crianças foi decisiva para conquistar a vaga.

Conciliar escola, hotel e cuidados infantis produzia uma agenda pesada. Em um dos dias, a sequência de compromissos podia deixá-lo acordado por mais de 30 horas. Ele explica, porém, que as jornadas eram alternadas e que tentava preservar períodos de descanso nos outros dias.

O golpe de acomodação em Dublin

A parte mais delicada do episódio é o relato do golpe de aluguel. Levi e o amigo Ribamar procuravam um lugar só para os dois e encontraram um estúdio em Rathmines por 1.200 euros mensais. Eles visitaram o imóvel, receberam as chaves, pagaram depósito e aluguel e moraram ali por cerca de um mês.

Essa experiência inicial criou uma relação de confiança com o intermediário. Quando o irmão de Levi decidiu ir para a Irlanda, o mesmo homem ofereceu uma casa maior no centro de Dublin. Levi disse que só faria o pagamento depois de entrar no imóvel. O intermediário permitiu a mudança e aguardou dois dias antes de receber o dinheiro, reforçando a aparência de legitimidade.

O problema apareceu quando outras pessoas chegaram com chaves e disseram que também haviam alugado a mesma casa. Segundo o relato, havia cerca de dez pessoas no local naquele momento, entre brasileiros, chilenos e espanhóis. Uma das vítimas teria transferido 8 mil euros. O prejuízo total estimado pelos presentes ficou próximo de 30 mil euros.

Levi ressalta que não se tratava do golpe mais conhecido, feito apenas por anúncios e mensagens. Ele havia visitado os imóveis, morado no primeiro endereço e criado convivência com o responsável. Para ele, essa construção gradual de confiança foi o que tornou a fraude mais difícil de perceber.

Como ele conseguiu se reorganizar?

Depois do golpe, o hotel permitiu que Levi ficasse temporariamente em um quarto. O empregador também emprestou parte do dinheiro necessário para um novo depósito. Amigos e seguidores contribuíram com uma arrecadação, enquanto Levi procurava a imobiliária responsável pelo primeiro imóvel.

A imobiliária apresentou duas opções e ele assinou diretamente o contrato de um novo estúdio em Rathmines. O golpe aconteceu em uma segunda-feira; na sexta-feira da mesma semana, Levi e Ribamar já estavam na nova acomodação.

A experiência virou conteúdo no canal de Levi porque ele percebeu que esconder a situação por vergonha não ajudaria outras pessoas. A principal lição do relato não é simplesmente “não confie em ninguém”, mas confirmar a autorização para sublocar, exigir documentação adequada e verificar diretamente com o proprietário ou a imobiliária antes de transferir dinheiro.

O canal Leviajando e a burocracia do intercâmbio

Levi começou a registrar cada etapa da própria experiência: agendamento migratório, solicitação do PPS, procura por trabalho e acomodação. Como professor, ele buscava apresentar as informações de maneira didática, gravando a tela e mostrando o passo a passo.

Um vídeo em que registrou uma ligação de agendamento ganhou alcance porque incluía legendas em português e inglês. Outro conteúdo mostrava como ele havia encaminhado o PPS. Na época da gravação, a espera pelo documento podia durar entre 45 e 50 dias, segundo o convidado.

É importante tratar essas informações como um retrato de 2022. Regras, nomes de documentos, prazos e canais de atendimento mudam; quem está planejando um intercâmbio deve confirmar os procedimentos atuais nas páginas oficiais do governo irlandês.

Da comédia no Ceará ao conteúdo sobre a Irlanda

O Leviajando não começou exatamente do zero. Levi e o irmão mantinham o projeto de humor Gemialidades, que chegou a aproximadamente 10 mil inscritos. Os dois produziram vídeos, participaram do programa da Eliana e integraram um programa diário da afiliada da Band no Ceará.

Quando o projeto terminou, Levi reaproveitou o canal e arquivou o conteúdo antigo. Na época do podcast, a nova fase já tinha chegado a cerca de 14 mil inscritos. A experiência anterior com roteiro, gravação e edição ajudou a transformar os perrengues do intercâmbio em vídeos úteis para outras pessoas.

Vale a pena fazer intercâmbio na Irlanda?

A resposta de Levi não ignora os problemas. Em apenas três meses, ele enfrentou frio, pressão por moradia, burocracia, uma rotina puxada e um golpe financeiro. Ao mesmo tempo, conseguiu trabalhar, reorganizar a vida e enxergar possibilidades que não via antes.

Seu objetivo, naquele momento, era construir uma reserva financeira, tentar um visto de trabalho e usar o canal para conhecer outros lugares. Ele não descartava permanecer na Irlanda, mas também considerava estudar em outro país e aprender uma nova língua.

Para Levi, o saldo continuava positivo porque, durante a crise da acomodação, o número de pessoas que o ajudou foi maior do que o número de pessoas que o prejudicou. Essa é a linha que atravessa todo o episódio: preparação é indispensável, mas rede de apoio, capacidade de adaptação e disposição para recomeçar também fazem parte do intercâmbio.

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O que aprender com os desafios no início do intercâmbio na Irlanda?

A história mostra que falar inglês pode ampliar oportunidades profissionais, mas não protege alguém de todos os riscos. Também evidencia como a pressa por encontrar moradia torna o recém-chegado mais vulnerável, especialmente quando a oferta parece resolver exatamente o problema que mais causa ansiedade.

No episódio completo, Bolder e Levi conversam sobre planejamento financeiro, trabalho, sotaque irlandês, documentação, produção de conteúdo e os detalhes do golpe de acomodação. Assista ao vídeo no topo da página para acompanhar o relato completo.