O brasileiro que voltou à Irlanda depois do programa do Gugu trabalha hoje no mesmo universo que marcou sua vida desde a infância: os cavalos de corrida. No novo vídeo do Bolder, Fábio apresenta a fazenda onde atua como treinador e galopador, relembra acidentes que quase lhe custaram a vida e explica por que decidiu retornar ao país mesmo depois de receber ajuda para recomeçar no Brasil.
A vida de Fábio e Karina no interior da Irlanda
Bolder visita Fábio, Karina e o filho Fábio Augusto em Killenaule, um vilarejo de aproximadamente mil habitantes no condado de Tipperary. O casal chegou à região em 2016 e vive há quase dez anos na mesma casa.
A rotina local é muito diferente de Dublin. Há mercado, farmácia, escola, igreja, clínica médica, pub e outros serviços, mas quase todos se conhecem. Fábio destaca a tranquilidade de deixar o carro do lado de fora e a ausência do trânsito intenso da capital.
O mercado de cavalos de corrida na Irlanda
Na fazenda, Fábio trabalha com cavalos puro-sangue inglês destinados a provas flat, sem obstáculos, e a corridas de salto. Ele explica que o turfe movimenta investimentos milionários. Alguns animais custam milhões, enquanto corridas importantes podem distribuir prêmios de até £1 milhão.
O resultado não depende apenas do jóquei. Treinadores, galopadores e tratadores precisam observar alimentação, musculatura, comportamento e ritmo de cada cavalo. No período da gravação, a equipe vinha de duas vitórias na mesma semana.
Como é a preparação diária
O trabalho começa pela limpeza das cocheiras e pela organização dos lotes. Cada animal tem sela, rotina e intensidade de exercício próprias. Depois do galope, os cavalos tomam banho, caminham para reduzir a adrenalina e só então retornam ao box ou passam um período no pasto.

De jóquei no Brasil a profissional na Irlanda
Fábio começou a trabalhar com cavalos aos 10 anos, acompanhando o avô, que era treinador no Rio Grande do Sul. Aos 15, mudou-se para São Paulo e tentou entrar numa escola de aprendizes, mas foi considerado alto demais para a carreira tradicional de jóquei.
Uma oportunidade com cavalos quarto de milha manteve Fábio no setor. Mais tarde, uma agência recrutou profissionais no Brasil para trabalhar na Irlanda. Ele chegou em 2002 com visto, viagem e apoio pagos pelo empregador.
Os acidentes que mudaram sua carreira
Em um dos acidentes mais graves, o cavalo de Fábio sofreu um ataque cardíaco durante a corrida. Outro animal caiu sobre eles. Fábio fraturou costelas, machucou o pulmão e passou cerca de seis meses na cama.
Foi depois desse período que sua história chegou ao quadro De Volta para a Minha Terra, apresentado por Gugu Liberato. Enquanto a equipe estava na Irlanda, Fábio sofreu outra queda. O programa reformou sua casa, ajudou nas despesas da família e o levou de volta ao Brasil.
Por isso, a expressão “o Gugu deportou” usada no título do vídeo é uma brincadeira. Fábio não descreve uma deportação determinada pela imigração, mas um retorno organizado voluntariamente pelo programa.
O retorno ao Brasil e a decisão de voltar
No Brasil, Fábio deixou os cavalos e trabalhou por quase quatro anos com pavimentação asfáltica. Depois de uma separação, conheceu Karina, que atuava no Horse Brasil Channel, e os dois decidiram tentar novamente a vida na Irlanda.
Logo após chegar, Fábio recebeu o convite para montar numa corrida. Estava há quatro anos sem competir e precisou usar capacete e óculos emprestados pelo treinador. Mesmo assim, venceu a prova. Para ele, aquela vitória parecia confirmar que ainda havia um caminho no turfe.
Uma nova queda encerrou a carreira de jóquei
Em 2017, Fábio caiu novamente e fraturou as vértebras C1, C2 e C3. Os médicos não autorizaram seu retorno às corridas: outra queda poderia deixá-lo numa cadeira de rodas.
Ele permaneceu no setor, mas mudou de função. Hoje condiciona os animais, acompanha o desempenho e ajuda a prepará-los para competir. Fábio reconhece o risco e não recomenda cavalos de corrida a quem não possui experiência.
A casa antiga e o custo de vida no vilarejo
Karina também mostra a casa onde a família vive desde 2016. O imóvel é antigo, estreito e tem dois quartos. Eles trocaram móveis, pintaram paredes e fizeram melhorias com autorização da proprietária.
No momento da gravação, o aluguel era de €125 por semana — antes, o casal pagava €100. Karina reconhece que é um valor fora do padrão atual, inclusive para o interior, e relaciona a condição ao contrato antigo e aos cuidados que tiveram com a propriedade.
Voltar ao Brasil está nos planos?
Apesar da estabilidade na Irlanda, Karina pensa em passar um período maior no Brasil para ficar perto da mãe e permitir que Fábio Augusto conviva com avós, tias e primos. O casal ainda não trata a mudança como definitiva. A ideia é testar a rotina e comparar a realidade dos dois países.
Assista ao vídeo completo para conhecer a fazenda, acompanhar o treinamento dos cavalos e ouvir de Fábio como os acidentes, a ajuda de Gugu Liberato e o retorno à Irlanda transformaram sua vida.
