Custo de vida na Irlanda em família: gastos reais em 2025

O custo de vida na Irlanda em família vai muito além do preço do aluguel. Neste episódio, Bolder visita a casa de Fábio e Bela e conversa também com os filhos, Laura e Pedro. A família abre os números de moradia, energia, mercado, saúde, escola, transporte e lazer — e mostra como foi sair de uma vida confortável no Brasil para recomeçar em outro país.

Os valores abaixo foram relatados pela família no vídeo publicado em 2025. Eles representam a realidade daquele lar, naquele momento, e não uma média atual de toda a Irlanda.

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Como a família chegou à Irlanda

Fábio é programador e conta que uma crise financeira no Brasil o levou a pesquisar oportunidades no exterior. Como a família não tinha uma rota de cidadania europeia por ascendência, ele avaliou países onde sua profissão poderia abrir caminho para uma autorização de trabalho.

Em vez de levar todos de uma vez, Fábio veio sozinho para a Irlanda por dois meses. O plano era melhorar o inglês e procurar emprego na área de tecnologia. No segundo mês, enquanto ainda trabalhava remotamente para o Brasil, conseguiu uma proposta e iniciou o processo do Critical Skills Employment Permit.

Depois da aprovação, ele voltou ao Brasil e fez a mudança com Bela, Laura e Pedro. A possibilidade de os filhos aprenderem inglês e conviverem com outras culturas já era um objetivo antigo do casal. Segundo Fábio, o visto de trabalho foi a estrutura que permitiu transformar o plano em mudança familiar.

Aluguel: a maior despesa do custo de vida na Irlanda em família

A procura por moradia foi a etapa mais desgastante. Fábio descreve um processo em duas fases: primeiro, conseguir ser chamado para visitar; depois, disputar com outros interessados para ser escolhido pelo proprietário ou pela imobiliária. Em uma tentativa, chegou a mostrar o saldo bancário para demonstrar que conseguiria pagar.

A reserva temporária também pesou. Uma semana adicional de Airbnb custou cerca de €1.000. No total, a hospedagem provisória consumiu o dinheiro obtido com a venda do carro da família no Brasil.

Da casa fria de €1.900 ao aluguel de €2.465

A primeira casa custava €1.900 por mês, mas era tão fria que a família passava boa parte do tempo nos quartos. O aquecimento exigia muita energia e o conforto não correspondia ao valor pago.

Depois, eles se mudaram para uma casa moderna de dois quartos em um condomínio residencial, com aluguel de €2.465 por mês. Embora a diferença nominal seja de €565, Fábio calcula que o impacto efetivo ficou mais próximo de €200 a €300: internet, coleta de lixo e academia estão incluídas, e o imóvel novo gasta menos energia.

A casa veio mobiliada, tem dois banheiros, lava-louças, máquina de lavar e secar e acesso a um quintal. O condomínio oferece academia, salão de festas, espaço de coworking, playground e internet nas áreas comuns. Há ainda um supermercado ao lado e transporte 24 horas nas proximidades.

O compromisso aparece no espaço: Laura, adolescente, e Pedro dividem o segundo quarto. A família já procurava uma casa de três quartos, mas dizia encontrar muita dificuldade.

Quanto uma família de quatro pessoas gastava por mês?

O vídeo não apresenta uma soma fechada para todas as despesas, mas permite enxergar os principais componentes do orçamento. Estes foram os valores informados por Fábio e Bela:

DespesaValor relatadoObservação
Aluguel€2.465 por mêsCasa de dois quartos; internet, lixo e academia incluídos
Energia€150 a €200 por mêsImóvel totalmente elétrico, mantido perto de 21 °C no inverno
SupermercadoCerca de €400 por mêsDuas compras mensais; segundo a família, não passava de €500
Seguro-saúdeCerca de €150 por mêsPara Bela e os dois filhos; o seguro de Fábio era pago pela empresa
Transporte e combustívelCerca de €50 por mêsOs dois trabalhavam em casa e o carro híbrido podia ser carregado gratuitamente
Estacionamento€50 por mêsUma vaga para o carro

Somando apenas aluguel, energia, mercado, seguro-saúde, transporte e estacionamento, o orçamento informado chegava a aproximadamente €3.265 a €3.315 por mês. Essa conta não inclui financiamento e manutenção do carro, roupas, escola, lazer, telefone ou gastos imprevistos.

Por que o supermercado ficava perto de €400?

Bela explica que a família ia ao supermercado no máximo duas vezes por mês, gastando em torno de €200 por visita. Eles priorizavam redes como Lidl, evitavam marcas e compras supérfluas e preparavam quase todas as refeições em casa. As crianças também levavam lanche e almoço para a escola.

Escola na Irlanda: matrícula, uniforme e adaptação

A busca por escola começou depois que a família definiu onde iria morar. Como o contato ocorreu durante as férias escolares, muitas instituições estavam fechadas ou demoravam a responder. Eles também precisaram entender quais escolas atendiam cada faixa etária.

Na experiência deles, o processo de matrícula variou de escola para escola. Para Laura e Pedro, bastaram formulário e PPS Number, mas Bela soube de instituições que pediam certidão de nascimento ou até certidão de batismo. Por isso, a família havia levado vários documentos do Brasil.

Os gastos escolares relatados

  • Contribuição anual: aproximadamente €150 para Laura e €50 para Pedro.
  • Uniforme de Laura: cerca de €200, com peças feitas para durar vários anos.
  • Uniforme de Pedro: cerca de €100 naquele ano; nos primeiros anos, peças genéricas de supermercado eram bem mais baratas.
  • Alimentação: as escolas atuais não forneciam refeição, então os dois levavam comida de casa.

Esses valores pertencem às escolas frequentadas pelas crianças e não formam uma tabela universal do sistema irlandês.

O primeiro dia das crianças

Laura tinha 13 anos e Pedro, 9, quando chegaram. Os dois já estudavam inglês no Brasil, mas a adaptação não foi automática. Laura conta que chorou ao receber uma prova de história no primeiro dia porque ainda não dominava o idioma. Na segunda escola, mais próxima de casa, ela fez mais amizades e passou a se sentir melhor acolhida.

Pedro entrou muito nervoso. Bela voltou para casa se perguntando se havia feito a escolha certa, mas o alívio veio na saída: ele disse que havia amado a escola e a professora. Mais tarde, recebeu apoio adicional em inglês e matemática.

A rotina também trouxe autonomia. Laura chegou a usar ônibus ou bicicleta; depois da mudança, passou a caminhar cerca de dez minutos. Pedro ia de patinete. Bela admite que, no começo, tinha o receio típico de quem vinha de outra realidade, mas ganhou confiança ao observar crianças pequenas fazendo trajetos semelhantes.

Trabalho: programação, creche e uma mudança de carreira

Fábio trabalhava remotamente como programador. Embora quase não precisasse ir ao escritório, seu contrato exigia que permanecesse na Irlanda. O computador da empresa ficava na própria sala, onde ele dizia passar cerca de 90% do tempo.

Bela começou como cleaner. Depois, validou o diploma de pedagoga e conseguiu trabalhar em creches por meio de uma empresa que a enviava para locais diferentes. A rotina, porém, tornou-se física e mentalmente desgastante. Após cerca de oito meses, ela decidiu abrir um espaço em casa e passou a trabalhar como babá.

Saúde, carro e lazer no orçamento

O plano de saúde de Fábio era benefício da empresa; a cobertura de Bela e dos filhos custava por volta de €150 mensais. Em uma consulta para Pedro, a família afirma que pagaria €250 sem seguro, mas desembolsou €45. O menino foi encaminhado ao hospital com o punho quebrado, e eles ainda não haviam recebido cobrança pela emergência quando o vídeo foi gravado.

No transporte, a rotina de trabalho em casa reduzia os deslocamentos. O gasto estimado era de €50 mensais entre combustível e transporte público. O carro híbrido podia ser carregado gratuitamente no condomínio.

Fábio também mostra como os custos de carro mudaram ao longo do tempo. O seguro do primeiro veículo ficou perto de €2.500 no primeiro ano, caiu para aproximadamente €1.000 e, no carro atual, estava em torno de €900 por ano. A taxa anual do híbrido era €130. Já uma troca de óleo podia custar €300, e ele alerta que a mão de obra em oficinas costuma ser cara.

Para lazer, o casal gastou cerca de €50 em uma saída para um pub do bairro. Laura estimou de €5 a €8 para um lanche e de €8 a €13 para o cinema, dependendo do local. Pedro preferia videogame, enquanto a irmã saía mais com as amigas.

O que valeu a pena — e o que ainda incomoda

Fábio destaca a educação no trânsito, a limpeza, a organização urbana e a paciência das pessoas quando alguém ainda está aprendendo inglês. Bela valoriza o poder de compra e a possibilidade de viajar. Para os dois, ver os filhos falando inglês fluentemente e convivendo com pessoas de várias nacionalidades foi a principal confirmação de que a mudança valeu a pena.

Nem todos os aspectos são positivos. A família sente falta de parentes, amigos, comida e clima do Brasil. Laura é direta ao falar do frio e da falta de opções de lazer em Dublin. Pedro diz que, no futuro, escolheria o Brasil para ficar perto da família. O episódio ganha força justamente por não transformar imigração em propaganda: os filhos reconhecem as oportunidades, mas também mostram o custo emocional da mudança.

Vale a pena imigrar em família para a Irlanda?

Para Fábio e Bela, valeu. Mas a resposta vem acompanhada de uma condição: planejamento. Fábio recomenda ter reserva tanto para começar quanto para voltar, caso o plano não funcione. O valor de R$50 mil citado no episódio foi uma referência pessoal para a transição da família naquele período, não uma regra para todos.

A lição prática é clara: com filhos, não basta calcular passagem e aluguel. É preciso prever hospedagem temporária, caução, escola, uniformes, seguro-saúde, transporte e margem para imprevistos. Também faz diferença chegar com uma rota migratória definida e, se possível, com trabalho encaminhado.

O Critical Skills Employment Permit e suas regras mudam com o tempo. A informação oficial atual indica que titulares elegíveis podem solicitar reunificação familiar imediata. Sobre o IRP dos filhos, a Immigration Service Delivery informa que menores de 16 anos normalmente não precisam registrar a permissão, salvo exceções, e devem iniciar o registro ao completar 16. Para comparar o aluguel relatado com o mercado atual, consulte o índice oficial RTB/ESRI.

Assista ao episódio completo para conhecer a casa, ouvir as crianças e entender por que a experiência de morar na Irlanda pode ser positiva sem ser perfeita.


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