Empreender na Irlanda: Como a Câmara de Comércio Brasil-Irlanda está impulsionando brasileiros no exterior

Você já pensou em tirar aquela ideia de negócio do papel e empreender na “Ilha Esmeralda”? No episódio recente do Bolder Podcast, Fillipe Cardoso recebeu Fernanda Hermanson, fundadora da Câmara de Comércio Brasil-Irlanda (BICC), para uma conversa profunda sobre o cenário empresarial para brasileiros na Irlanda. O papo foi muito além das dicas básicas, trazendo dados sobre a evolução da nossa comunidade e estratégias reais para quem deseja internacionalizar marcas ou começar do zero em solo irlandês.

A Evolução da Comunidade Brasileira e a Criação da BICC

Fernanda, que vive na Irlanda há 11 anos e possui mestrado em empreendedorismo pela Trinity College, explicou que a Câmara nasceu de uma necessidade latente de organização. Em 2022, um mapeamento realizado pela sua consultoria, a Anlich, identificou cerca de 1.300 empresas fundadas por brasileiros na Irlanda.

A BICC atua hoje como uma plataforma bilateral, conectando microempreendedores e grandes corporações (como Bank of Ireland e universidades) para gerar negócios e parcerias. Bolder destacou como o perfil do imigrante mudou: se antes a maioria vinha apenas para estudar inglês, hoje há ondas de profissionais qualificados em TI, engenharia e saúde, além de empresários que já chegam com o objetivo de expandir seus negócios brasileiros para a Europa.

Desafios Reais: Saindo da “Bolha” e Superando Barreiras

Um dos pontos altos da conversa foi a análise sobre as dificuldades que os brasileiros enfrentam ao tentar empreender na Irlanda. Fernanda pontuou que, muitas vezes, o problema não é apenas a língua, mas o desconhecimento dos suportes que o governo irlandês oferece, como os subsídios do Local Enterprise Office (LEO).

Vale a pena empreender em nichos tradicionais?

Bolder questionou a saturação de mercados como barbearias, salões de estética e restaurantes brasileiros. A linha de raciocínio apresentada por Fernanda é clara:

  • Saturação vs. Demanda: O mercado “oceano vermelho” exige uma diferenciação muito forte para ser lucrativo.
  • Inovação: Há espaço para brasileiros usarem suas formações originais (como engenharia ou artes) em nichos menos explorados.
  • Precificação: Muitos empreendedores falham ao não incluir custos operacionais invisíveis no preço final, trabalhando muito e lucrando pouco.

Por que a Irlanda é a melhor porta de entrada para a Europa?

Diferente do que muitos pensam, Portugal nem sempre é o melhor caminho para quem busca internacionalização. Fernanda defendeu a Irlanda como um mercado estratégico por ser:

  1. Multicultural e de língua inglesa: Facilita a adaptação do produto para o mercado global.
  2. Ambiente Seguro para Testes: Sendo um país pequeno, permite testar e ajustar o modelo de negócio antes de expandir para os EUA ou o restante da Europa.
  3. Vantagens Fiscais: O imposto corporativo de 12,5% é um dos mais competitivos do mundo.

O Futuro: Voo Direto e Networking Qualificado

Para quem busca conexões, o evento Brasil Showcase, que acontecerá em maio, foi destacado como uma oportunidade vital de networking qualificado entre brasileiros e irlandeses. Além disso, Fernanda trouxe atualizações otimistas sobre o tão esperado voo direto entre Brasil e Irlanda, mencionando o interesse político e comercial crescente após a visita de ministros brasileiros ao país em 2025.

Dicas do Bolder para novos empreendedores:

  • Planejamento: Não pule para a execução sem um estudo de viabilidade financeira.
  • Resiliência: Um negócio leva de 2 a 3 anos para amadurecer e dar retorno real.
  • Networking: Saia da solidão do empreendedorismo buscando comunidades como a BICC.

Se você tem o sonho de ter seu próprio negócio no exterior, assista ao episódio completo para entender os detalhes burocráticos e estratégicos mencionados por quem entende do assunto.

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