Da Irlanda aos Estados Unidos: a trajetória de Fábio Teske e o visto EB-3

Mudar da Irlanda para os Estados Unidos é o próximo grande projeto de Fábio Teske. Depois de nove anos em território irlandês, ele conversa com Bolder sobre a chegada sem inglês, os empregos pesados, a construção da vida em família e o processo EB-3 que pode levá-lo ao país que sempre quis conhecer.

A entrevista não vende o processo como atalho. Fábio detalha a necessidade de uma oferta real de trabalho, os formulários enviados pelo empregador, a fila migratória, os custos e a possibilidade de esperar vários anos até a entrevista consular.

Quem é Fábio Teske?

Fábio é de Campo Erê, em Santa Catarina, tem origem familiar alemã e chegou à Irlanda em junho de 2017. É formado em Educação Física, mas não veio com uma carreira internacional pronta. O objetivo inicial era estudar inglês e encontrar uma forma de trabalhar.

A falta do idioma aparecia até nas situações mais simples. Ele lembra de receber comida fria no avião porque não conseguia se comunicar e de desembarcar num período em que havia menos conteúdo em português explicando a vida no país.

Uma indicação feita ainda pelo Facebook ajudou no primeiro emprego. Ao chegar, comprou bicicleta e começou uma rotina física intensa, com trabalhos operacionais e longos deslocamentos. Para ele, uma diferença importante entre 2017 e hoje é a quantidade de informação disponível — embora moradia e custo de vida tenham ficado mais difíceis.

Os primeiros trabalhos na Irlanda

Fábio conta que trabalhou distribuindo e recolhendo barris de cerveja, atividade pesada e com riscos. O serviço exigia força, atenção e ritmo, mas abriu a porta para renda e adaptação.

A conversa com Bolder desmonta a ideia de que “não existe emprego” de forma absoluta. Existem vagas, mas o resultado depende do inglês, da localização, do horário disponível e da disposição para começar por funções diferentes da profissão exercida no Brasil.

Ao mesmo tempo, Bolder alerta que estudante não deve transformar o trabalho na única prioridade. A permissão foi concedida para estudar, e abandonar o inglês em troca de mais horas pode limitar o futuro profissional.

Por que sair da Irlanda depois de nove anos?

Os Estados Unidos são um sonho antigo de Fábio. A mudança não nasce de uma rejeição simples à Irlanda: foi no país que ele construiu experiência, família e estabilidade. O que pesa é a vontade de experimentar um mercado maior e buscar outra escala de oportunidades.

Fábio reconhece que a cultura americana de trabalho pode ser mais intensa. Seguro de saúde, ritmo de consumo, crédito e múltiplos empregos entram na comparação. Ainda assim, ele acredita que o esforço pode gerar retorno financeiro e acesso a objetivos que considera mais difíceis no cenário atual.

Como surgiu o processo EB-3?

O plano ganhou forma depois que Fábio conversou com um conhecido ligado à aviação e começou a pesquisar rotas legais. O processo escolhido foi o EB-3, categoria de imigração baseada em emprego.

Na explicação dada durante o podcast, há modalidades para trabalhadores qualificados e para ocupações que não exigem a mesma formação. O ponto central é o mesmo: precisa existir um empregador americano disposto e apto a patrocinar uma vaga verdadeira.

No caso de Fábio, a oportunidade veio por indicação, não por uma agência. Ele deixa claro que outras pessoas usam intermediários, mas recomenda cautela porque não pode validar um caminho que não percorreu.

É preciso ter uma oferta de trabalho antes?

Sim. Fábio explica que o processo começa com o patrocinador. A empresa apresenta a vaga, demonstra a necessidade da contratação e cumpre etapas perante o Departamento do Trabalho e a imigração americana.

Ele menciona a certificação trabalhista e o formulário I-140, usado para a petição do trabalhador estrangeiro. O empregador precisa provar que a oferta é legítima e que possui condições de contratar.

Quanto tempo demora o EB-3?

A estimativa discutida no episódio varia aproximadamente de quatro a oito anos, dependendo da categoria, da data de prioridade, do país, da movimentação do Visa Bulletin e da capacidade dos órgãos responsáveis.

Fábio iniciou o processo em 2022. Depois de avanços documentais, já recebeu comunicações para preencher informações sobre escolaridade, residência e histórico profissional. Também acompanha a etapa consular em Dublin.

A fila não significa que o processo esteja parado. Ele pode continuar tecnicamente até chegar ao limite imposto pela disponibilidade de vistos. Exames médicos, vacinas e entrevista só fazem sentido quando a data de prioridade permite avançar.

O processo garante um green card?

O objetivo do EB-3 é residência permanente baseada em emprego, mas nenhum candidato deve tratar a aprovação como garantida antes da conclusão. Documentos, patrocinador, entrevista e admissibilidade continuam sendo avaliados.

Fábio cita vagas operacionais, inclusive em restaurantes, como exemplos de oportunidades que podem sustentar a categoria. Isso não significa comprar um green card. O trabalho precisa existir e o candidato assume o compromisso ligado à oferta apresentada.

Quanto custa tentar o EB-3?

Durante a conversa, Fábio menciona pessoas pagando mais de US$20 mil em processos intermediados. O valor varia e pode envolver honorários, taxas e serviços diferentes. Justamente por isso, ele alerta contra promessas fáceis e agências que não deixam claro qual empregador está por trás da vaga.

Outro risco é gastar toda a reserva no processo e chegar sem dinheiro para moradia, transporte, saúde e os primeiros meses. A mudança legal continua exigindo caixa.

A família pode acompanhar?

Uma das razões para escolher uma via de residência é a possibilidade de incluir cônjuge e filhos elegíveis. Fábio fala da esposa e da filha ao explicar como a decisão deixou de ser apenas individual.

Ele também possui outras opções familiares em análise e já teve pedido de visto de turista recusado. Na entrevista, contou abertamente que tinha processos migratórios, o que tornou difícil convencer o consulado de que faria somente uma viagem temporária.

Irlanda e Estados Unidos: qual oferece melhor qualidade de vida?

Fábio e Bolder evitam uma resposta única. Na Irlanda, a escala menor, a segurança relativa e determinados direitos oferecem estabilidade. Nos Estados Unidos, salários, consumo e crescimento podem ser maiores, mas saúde e proteção social exigem outro planejamento.

O entrevistado já trabalha muitas horas na Irlanda e não espera uma vida leve nos Estados Unidos. Sua aposta é que o mesmo esforço possa produzir resultado financeiro maior. É uma preferência pessoal, não uma promessa aplicável a todos.

Como nasceu o canal de Fábio Teske?

O canal começou com a intenção de falar da Irlanda. Fábio experimentou formatos, percebeu que vídeos de reação atraíam público e passou a combinar comentários com informações sobre vida no exterior.

Com o avanço do EB-3, os Estados Unidos ganharam espaço natural. Ele fala de processos migratórios, custo de vida, trabalho e das diferenças entre o que circula nas redes e o que os documentos realmente exigem.

A produção também trouxe críticas. Fábio discute como vídeos sobre imigração ilegal, pedidos de asilo e promessas de oportunidade podem gerar audiência sem explicar os riscos. Para ele, criador de conteúdo precisa separar experiência pessoal de orientação universal.

Asilo não é um plano de imigração

Em um trecho mais delicado, a conversa aborda pessoas que constroem narrativas falsas para pedir proteção internacional. Fábio e Bolder lembram que asilo existe para quem sofre perseguição real, e mentir pode afetar tanto o requerente quanto a credibilidade de casos legítimos.

O mesmo cuidado vale para quem chega à Irlanda e inicia um pedido apenas para ganhar tempo. Acomodação provisória e espera não equivalem a uma rota segura de residência.

O que a história de Fábio ensina

Fábio saiu de uma cidade pequena, chegou com inglês limitado, encarou trabalho físico e passou nove anos construindo a vida na Irlanda. O próximo passo não apaga essa história; usa a experiência acumulada para tentar um projeto ainda mais longo.

Para quem pesquisa o EB-3, o episódio deixa quatro perguntas essenciais: existe empregador real, o contrato corresponde à vaga, o candidato suporta anos de espera e há dinheiro além das taxas? Assista à entrevista para conhecer os detalhes do processo e entender por que uma mudança legal começa muito antes do embarque.

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