Mais de dois terços dos médicos que começaram a atuar na Irlanda no último ano foram formados fora da União Europeia e do Reino Unido. Os novos dados do Irish Medical Council mostram o peso dos profissionais internacionais no sistema de saúde irlandês, mas também revelam dificuldades para mantê-los no país.
Ao todo, 7.099 profissionais fizeram seu primeiro registro para trabalhar como médicos na Irlanda. Entre os novos médicos formados fora da UE e do Reino Unido, 64% estudaram no Paquistão e 15,8% no Sudão.
Irlanda recebe novos médicos, mas também perde profissionais
Embora o número de novos registros tenha aumentado, 2.510 médicos deixaram o cadastro profissional durante 2025. A maioria dos profissionais que entraram ou saíram do registro tinha 34 anos ou menos, indicando que a movimentação envolve principalmente médicos em fases iniciais ou intermediárias da carreira.
Mais de 760 médicos emigraram. Entre os 761 profissionais que informaram ter deixado a Irlanda para trabalhar em outro país, 30,5% foram para o Reino Unido, 17% para o Paquistão e 12,3% para a Austrália.


Esgotamento e problemas no sistema aparecem entre as razões
O Irish Medical Council identificou o esgotamento profissional e a frustração com sistemas de trabalho considerados ineficientes entre os motivos apresentados por médicos que deixaram o país. Também foram mencionados processos desatualizados, falta de funcionários e ausência de prontuários compartilhados entre hospitais.
Alguns profissionais relataram dificuldade para encontrar emprego mesmo depois de obter o registro necessário para trabalhar. Outros citaram os custos de manutenção desse registro durante o período de procura por uma vaga.
Segundo Maria O’Kane, diretora-executiva do Medical Council, os resultados reforçam a contribuição dos médicos formados internacionalmente para a saúde irlandesa, mas também mostram os obstáculos existentes entre a aprovação profissional e a contratação.
Mudanças na cidadania podem afetar recrutamento
A divulgação dos números ocorre em meio ao debate sobre mudanças nas regras de cidadania irlandesa. A Irish Association of International Doctors alertou que propostas mais rígidas podem tornar a Irlanda menos atraente para profissionais de saúde vindos do exterior.
O alerta ganha relevância diante da elevada participação de médicos internacionais entre os novos registros. A combinação de recrutamento externo, dificuldades de contratação e saída de profissionais mostra que aumentar o número de médicos habilitados não resolve, sozinho, os problemas de pessoal do sistema de saúde.
Apesar dos desafios, o Medical Council afirma que o volume de novos registros indica que a Irlanda continua sendo um destino atraente para médicos. A questão agora é se o país conseguirá transformar essa procura em contratação e permanência de profissionais no longo prazo.
Fonte
Irish Examiner, com dados do Irish Medical Council, publicado em 4 de novembro de 2026.
