MUDAMOS EM FAMÍLIA PRA IRLANDA! COM BEBÊ E DOIS GATOS

Mudar de país já é um grande desafio, mas fazer essa transição com um bebê de 8 meses e dois gatos eleva o planejamento a outro nível. No episódio do Bolder Podcast, Fillipe Cardoso visitou a casa de Wesley e Bárbara, um casal de paulistas que tomou a decisão ousada de recomeçar a vida na Irlanda. Deixando para trás a estabilidade em São Paulo após um esgotamento profissional (burnout) e a busca por mais segurança, eles compartilham a realidade nua e crua de como funciona a imigração em família, os custos reais e as barreiras burocráticas no exterior.

Morar na Irlanda em família: quanto custa o aluguel fora de Dublin?

Uma das maiores surpresas do relato de Wesley e Bárbara é o custo de vida, especialmente com habitação. O casal não mora na capital, mas sim em Dunshaughlin, uma cidade localizada no condado de Meath, ao norte de Dublin. Mesmo afastados do grande centro, o valor do aluguel impressiona.

Eles pagam atualmente € 1.935 por mês em um apartamento de dois quartos. O valor inclui apenas a taxa de lixo; despesas como luz, internet e aquecimento são pagas à parte (a taxa de água não é cobrada na Irlanda). Bárbara e Wesley pontuam que, se estivessem na região central de Dublin, um imóvel semelhante não sairia por menos de € 2.500 mensais. O apartamento já veio mobiliado — uma prática comum no mercado imobiliário irlandês —, restando ao casal adquirir apenas itens eletrônicos, como televisão, impressora e micro-ondas.

A saga da acomodação: vale a pena emigrar sem emprego garantido?

Para quem se pergunta se vale a pena arriscar a mudança sem um contrato de trabalho assinado, a resposta do casal exige cautela. O mercado imobiliário da Irlanda enfrenta uma crise severa e a barreira financeira não é o único obstáculo.

  • Rejeição sistemática: O casal chegou ao país com uma reserva financeira robusta de aproximadamente € 25.000 (guardada em reais e euros), equivalente a quase um ano de aluguel. Mesmo apresentando os extratos bancários, eles receberam diversas recusas de corretores pelo simples fato de estarem recém-chegados e sem emprego local.
  • A busca exaustiva: Foram cerca de 25 visitas presenciais em um único mês, disputando imóveis em filas de até 50 pessoas por vaga, até encontrarem um proprietário (landlord) que buscava especificamente o perfil de uma família estável.
  • A estratégia recomendada: Com base no sufoco que passaram, Wesley aconselha que, se uma família deseja se mudar, o ideal é que um dos cônjuges vá primeiro, consiga um emprego e um histórico de referências locais para, somente depois, trazer o parceiro e os filhos.

O limbo da imigração e a burocracia dos vistos

Embora Wesley possua cidadania italiana, o que facilitou a entrada legal da família, a burocracia para a emissão do visto de Bárbara (Stamp 4, que dá direito ao trabalho) gerou meses de forte tensão financeira.

Devido a um erro interno da imigração — uma carta de aprovação que desapareceu e nunca chegou ao destino —, Bárbara ficou 7 meses em um limbo burocrático. Durante esse período, ela não podia trabalhar legalmente, não conseguia se inscrever em consultas médicas pelo sistema público e nem solicitar o auxílio financeiro do governo para o bebê (Child Benefit), que precisava estar no nome da mãe. A situação só se resolveu após muita pressão direta do casal junto aos órgãos de imigração, permitindo que ela finalmente obtivesse o cartão em novembro.

Logística pesada: a mudança com bebê e dois gatos como carga

A preparação logística começou com um ano de antecedência no Brasil. Para trazer os dois gatos (Smog e Crawley), foi necessário cumprir um protocolo rigoroso: aplicação de microchip, vacina da raiva e exame de sorologia com resultado positivo. Por estar viajando com um bebê de colo vinculado à sua passagem, Bárbara não pôde levar os pets na cabine. Os animais tiveram que ser despachados juntos como carga aérea em uma caixa grande de transporte.

O volume de bagagem na viagem foi massivo. A família desembarcou na Irlanda carregando:

  • Duas malas de 32 kg;
  • Duas malas de 23 kg adicionais;
  • Duas malas de mão de 10 kg;
  • Mochilas, carrinho e uma mala de 10 kg extra permitida para o bebê.

Ainda assim, como a mudança foi definitiva, o casal precisou contratar posteriormente o envio de um contêiner via navio para trazer o restante de seus pertences essenciais, como livros e computadores.

Rotina, mercado de trabalho e o fator clima na Irlanda

Após superarem a fase crítica dos documentos, a rotina estabilizou e a situação financeira melhorou consideravelmente. Atualmente, Bárbara trabalha em um escritório de auditoria no setor financeiro em Dublin, enquanto Wesley atua em um armazém (warehouse) próximo de casa.

A dinâmica diária, contudo, exige sacrifícios:

  • Transporte público e trânsito: Bárbara se desloca diariamente de ônibus para Dublin. Na ida, o trajeto leva cerca de 1 hora e 15 minutos. No retorno, por conta do tráfego intenso na região norte da capital, a viagem de volta demora cerca de 2 horas.
  • Necessidade de carro: Wesley adquiriu um veículo próprio em duas semanas por necessidade logística. A creche do filho fica localizada em uma área de rodovia sem pavimentação para pedestres e sem passagens de ônibus, tornando o uso do carro obrigatório para deixar e buscar a criança diariamente.

Ao fazer o balanço final da transição, o casal reforça que o principal motor para continuar no país é a segurança e a perspectiva de futuro para o filho. No entanto, alertam os futuros imigrantes sobre o impacto psicológico do clima irlandês — marcado por vento constante, chuva frequente e a escassez de sol no inverno —, um fator frequentemente subestimado por quem planeja viver no exterior.

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