Eleições brasileiras na Irlanda: como foi o 2º turno em Dublin

Os brasileiros votando na Irlanda no segundo turno das eleições de 2026 encontraram um cenário diferente das longas filas registradas quatro anos antes. No RDS, em Dublin, a votação transcorreu com filas curtas, opiniões políticas diversas e uma organização preparada para receber eleitores de todo o país.

Bolder acompanhou a movimentação no domingo, 25 de outubro, conversou com o embaixador do Brasil, responsáveis pela eleição, mesários voluntários e brasileiros que vivem há anos fora do país. Houve queda de energia durante uma tempestade e a maratona de Dublin complicou o acesso à região, mas a avaliação predominante foi de uma votação rápida e ordeira.

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Como foi o segundo turno das eleições brasileiras em Dublin?

O local escolhido foi o RDS, complexo de eventos em Dublin com espaço suficiente para dividir as seções e organizar o fluxo. Quando Bolder chegou, as pessoas entravam com tranquilidade. Algumas seções tinham filas maiores, mas em outras o eleitor conseguia apresentar os documentos, votar e sair em poucos minutos.

O dia não começou sem imprevistos. Uma queda de energia interrompeu temporariamente parte da operação. Dublin também enfrentava chuva, vento forte e alterações no trânsito causadas pela maratona. Uma eleitora que mora no norte da cidade preferiu deixar o carro e caminhar para evitar bloqueios e dificuldades de estacionamento.

Apesar desses problemas, não houve confusão no período registrado pelo vídeo. Eleitores de posições políticas opostas dividiram o mesmo espaço, deram entrevistas e destacaram o respeito no ambiente. Até cachorros acompanhavam algumas famílias na área permitida do RDS.

Quantos brasileiros estavam aptos a votar na Irlanda?

Segundo a equipe responsável pela organização ouvida no vídeo, Dublin tinha 17.894 eleitores registrados em 2026. Esse número colocava a cidade como a 17ª maior votação brasileira no exterior e a quinta maior da Europa, atrás apenas de Lisboa, Porto, Londres e Paris.

O local de Dublin concentrava toda a votação da República da Irlanda. Isso significa que brasileiros de outras regiões precisavam se deslocar até a capital. Uma das entrevistadas viajou desde Donegal, percurso que ela descreveu como uma jornada de aproximadamente cinco horas.

O contingente irlandês faz parte de um eleitorado externo que cresceu bastante. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, 918.876 pessoas estavam aptas a votar fora do Brasil nas eleições de 2026 — crescimento de 31,82% em relação a 2022.

Por que organizar uma eleição no exterior é diferente?

Um integrante da organização explicou que cada urna no exterior recebe aproximadamente o dobro de eleitores de uma urna instalada no Brasil. Por isso, o desafio principal não é apenas disponibilizar equipamentos, mas criar um caminho intuitivo entre a entrada, a identificação da seção e a mesa de votação.

Dublin exige atenção especial porque costuma registrar comparecimento acima da média externa. Os números apresentados durante a entrevista mostram que, em 2022, o comparecimento teria chegado a 65% na Irlanda e a 74% entre as seções de Dublin, diante de uma média de 50% no exterior.

No primeiro turno de 2026, segundo a mesma fonte, a participação caiu: a média global no exterior ficou em 37%, enquanto a Irlanda registrou 50% e as seções de Dublin, 60%. Mesmo com a redução, o comparecimento local permaneceu acima da média internacional.

Bolder entrevista uma eleitora brasileira diante do local de votação no RDS em Dublin
Eleitores de diferentes posições políticas explicaram por que continuam votando mesmo depois de anos fora do Brasil.

A estrutura melhorou em relação às eleições de 2022

Uma eleitora comparou o RDS com o local utilizado na eleição anterior, uma escola no centro de Dublin. Segundo ela, em 2022 algumas pessoas permaneceram entre cinco e seis horas na fila porque o espaço não comportava adequadamente a procura.

Em 2026, a separação por portões e seções tornou o percurso mais rápido. Mesmo após a interrupção de energia, as filas diminuíram ao longo do dia. Outros entrevistados disseram não ter esperado e elogiaram a orientação dos voluntários.

O embaixador do Brasil na Irlanda classificou o momento como uma “bonita festa democrática”. Para ele, a participação eleitoral ajuda a manter o vínculo dos imigrantes com o país, da mesma forma que continuam presentes os laços familiares e culturais.

Por que brasileiros que moram fora continuam votando?

A pergunta aparece repetidamente no vídeo e produz respostas diferentes. Alguns entrevistados vivem na Irlanda há mais de uma década. Outros estavam votando no exterior pela primeira vez. Em comum, citam familiares que permaneceram no Brasil e a possibilidade de voltar no futuro.

Um eleitor resumiu que sair do Brasil não elimina a cidadania brasileira. Outro afirmou que o voto continua sendo uma forma de participar das decisões coletivas, mesmo a milhares de quilômetros. Também houve quem dissesse que morar na Europa ampliou sua capacidade de comparar políticas públicas e condições sociais.

As opiniões partidárias foram variadas. Algumas pessoas defenderam continuidade; outras queriam mudança. Houve críticas à esquerda, à direita, à polarização e à situação econômica. Bolder preservou essa diversidade sem transformar a cobertura em pedido de voto.

Entre as prioridades mencionadas apareceram:

  • segurança pública e combate à corrupção;
  • custo de vida e situação econômica;
  • saúde, educação e saneamento básico;
  • proteção de minorias e políticas sociais;
  • respeito à democracia e ao resultado das urnas;
  • redução da hostilidade entre campos políticos.

O eleitor no exterior vota em quais cargos?

Quem transferiu o domicílio eleitoral para o exterior vota apenas para presidente e vice-presidente da República. Não participa da escolha para governador, senador ou deputados. O segundo turno de 2026 ocorreu em 25 de outubro; o primeiro havia sido realizado no dia 4.

Para votar na Irlanda, o eleitor precisava ter solicitado o primeiro título, a regularização ou a transferência até 6 de maio de 2026. Esses serviços ficaram disponíveis online pelo Autoatendimento Eleitoral. A Embaixada do Brasil em Dublin havia recomendado realizar o pedido com antecedência para permitir correções na documentação.

Quem mantém o título vinculado a uma cidade brasileira não pode simplesmente votar numa seção do exterior no dia da eleição. Se estiver fora do país, deverá justificar a ausência. O TSE explica as regras para transferência, justificativa e regularização.

Mesários voluntários ajudaram a realizar a votação

A eleição também dependeu de brasileiros que se voluntariaram para trabalhar nas mesas. Luís Henrique, residente na Irlanda havia cinco anos, contou que viu o chamado da Embaixada no Instagram e decidiu participar pela primeira vez.

Ele imaginava que o trabalho de mesário seria monótono, mas encontrou uma rotina dinâmica. Outra voluntária explicou que queria colaborar com o país mesmo estando fora. Para ambos, organizar a votação foi uma maneira concreta de manter o vínculo com o Brasil.

Votar fora do Brasil exige planejamento

A experiência de Dublin deixa uma limitação evidente: possuir título no exterior não significa ter uma urna perto de casa. Quem mora em Donegal, Cork, Galway, Limerick ou outras regiões pode enfrentar horas de estrada, gastos com transporte e mudanças provocadas por eventos na capital.

Para uma próxima eleição, vale conferir antecipadamente:

  1. se o título está regular e vinculado ao domicílio correto;
  2. o endereço exato do local e o número da seção;
  3. os documentos aceitos para identificação;
  4. o horário local de votação divulgado pela representação brasileira;
  5. alterações no transporte, estacionamento e acesso à região;
  6. como justificar a ausência caso não seja possível comparecer.

Uma eleição plural e sem confusão no RDS

A cobertura mostra uma comunidade politicamente dividida, mas capaz de ocupar o mesmo espaço com respeito. As entrevistas reúnem pessoas que desejavam resultados opostos e que, ainda assim, concordavam em pelo menos um ponto: morar na Irlanda não eliminou o interesse pelo Brasil.

O segundo turno também mostrou o crescimento logístico da eleição brasileira em Dublin. O número de cadastrados exigiu um espaço maior, dezenas de voluntários e um planejamento capaz de absorver até uma queda temporária de energia.

Assista ao vídeo completo no topo da página para acompanhar as entrevistas e ver como foi o dia de votação dos brasileiros na Irlanda. Leia também em quem vota o brasileiro que vive fora e a cobertura da imprensa irlandesa sobre as eleições brasileiras.


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